segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PRECISO ME REINVENTAR

Busco alguma coisa
Que possa quebrar
O sem sentido da vida.
No meu deserto sem contornos
Escrevo o meu engarrafamento de garatujas.
Procuro inventar brechas
Para ter saída.
O ócio é uma possibilidade de estar-se
Mas quero viver
Falar escutar ver
Olhar em torno e para dentro.
Ao lado da minha casa
Estou caprichando no meu jardim.
A alma pode brincar de esconde-esconde
Entre as folhas e flores
E que nada de mal seja absorvido
Pelo perfume que dele emana.
Hoje
O que me faz falta
Sou eu mesmo.
Sinto isso quando me olho de frente
No meu desconcerto.
A minha boca do beijo
Agora do silêncio.
Estou sozinho
Minhas palavras voam no espaço
Como borboleta perdida
E a vida precisa ser vivida
Com a intensidade sentida.
         Preciso me reinventar
         É isso.

Em 11 de dezembro de 2013

terça-feira, 1 de julho de 2014

AS MÃOS ESPALMAM DEDOS DE ESPANTO

Fui ao canteiro ao lado de casa
Vi duas rosas muito unidas
Juntando perfume.
Fotografei-as pra lembrar
O que juntos já fomos.
Amor único e perfumado.
Os dois lado a lado.
Com medo e susto sigo a vida.
Maus caminhos se espalmaram
Com dedos de espanto
No entanto
Lá fora
O vento ri baixinho
Lembrando risos felizes
Rosto e sonhos
Diretrizes.
Um dia
O amor chegará
Numa lúcida vertigem
Pois ele é sempre em mim.
O presságio
Amostragem
Esperança na bagagem.
Perder dói
Busco recursos para enfrentar a dor
Porque perder
Parece traição da vida.
Não sabemos onde nos agarrar
É o nosso esvaziamento
Sofrimento.
Sim
Porque a vida vale a pena.
Escavo o meu interior
Olho as minhas águas
E vejo vultos no fundo
Vultos que vivem dentro de mim.
Assim
O olho pensativo
Namora o outro que busca.
É o meu pungente impulso de alcançar.
Bocejando expectativas
Estou próximo dos oitenta
Mas o presente me pertence
Não o que ficou atrás.
         A  ausência
         É uma gota desafinada
         Mais nada.
 

Em 02 de dezembro de 2013.
Otacílio Mota

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O CHEIRO DE TUDO

Mastigo o meu silêncio
Pelo silêncio da casa
Enquanto pombos brancos
Pousam no telhado.
A casa
Além das salas e quartos
As lembranças do tempo
O retrato na memória
De nós e sorrisos.
Os olhares incrustados no rosto
Passos juntos
E o nosso cheiro em tudo.
O coração
Explodindo a cada dia,
Cada hora
Minutos.
A música no espaço
E na emoção.
Nossa casa
Nosso chão.
O mar tem o beneplácito do sol
Eu
No entanto
Nem canto.
Hoje
Me olho no espelho e não me vejo
É possível?
Minhas mãos doíam de tanto abrir-se.
Espero que um dia
O seu olhar me alcance.
Minha árvore e sua voz de folhas
Estão podadas.
Já não dizem nada.
Fui lançado na ventania
Por isso me perco.
Não quero ser um rosto
Naufragado num simples retrato.
O sem mundo varando o meu peito
Me habita.
Transfigura o ritmo das águas
Do meu rio sem fundo.
Dentro de mim
Uma rosa com nome secreto
Perfuma o amor.
Dentro de mim
As palavras dançam
Sobre o meu cansaço.
         No meu telhado
         Alguma coisa roçando.
         Deve ser o vento
         E a vida murchando.
 

Em 27 de novembro de 2013.
Otacílio Mota

terça-feira, 17 de junho de 2014

UMA BORBOLETA POUSARÁ EM MIM

O passado detém as lembranças
Que a memória selecionou.
O presente escapou.
Procuro a vida
Porque viver é gozo e prazer.
O espelho me cobra o que sempre tive
O reflexo me diz para ser livre.
No entanto
O tempo vence o corpo
E canto.
A vida tem nuanças de alegrias e dor.
Hoje quebrei um copo
Ouvi as gargalhadas dos cacos
E lembrei-me de mim.
Agora exatamente agora
Cai uma chuva ruidosa no meu telhado
Penso nas minhas goteiras
E meus pés se afogam.
Quando o olhar é grande
A fresta é pequena.
Sento sobre pedras e espuma
Meu caminho
Coisa alguma.
Eu sou eu
Ou apenas me junto a mim.
Nas mãos
Dias vazios
Nos pés
Chinelos macios.
Comigo
Dias falhos
Dentro de mim
O vento empurrando os galhos.
Um dia
Uma borboleta
Pousará em mim
Todas as suas cores.
Ir-se-ão as dores.

Em 21 de novembro de 2013
Otacílio Mota

quinta-feira, 12 de junho de 2014

TALVEZ EU PRECISE DOS SILÊNCIOS

Ninguém cria raízes na treva.
Melhor pousar as mãos sobre os olhos
E pensar em algum carinho.
Um caminho
Que traga a opção de ir
Seguir
Ou ficar
Ninguém pode medir sem mudar.
Se apagarmos as esperanças
Nada mais sobra.
Entre o passado e o recomeço
Perco um novo pedaço.
Faça o que faço
Nada de alvorada
Os passos caem nos degraus da escada
E ouço meus cacos rolando
Até quando?
A vida corre à frente dos relógios.
A dor não é maior que os sonhos
Por isso
Preciso me levantar e sonhar
E com carinho me reinventar.
Quero parecer comigo
Não com um amor cancelado
Jogar minha âncora
Para não ser naufragado.
Tive uma infância dourada
Que ainda respira em mim.
O NÃO que se dane
Preciso do SIM.
Quanto para os segredos
Como para a ambivalência
Quero pousar na minha essência
Sozinho nesse mundo de reflexos.
Estou nu e só.
Talvez eu precise
         Dos silêncios.

Em 18 de novembro de 2013.
OTACÍLIO MOTA

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