terça-feira, 1 de julho de 2014

AS MÃOS ESPALMAM DEDOS DE ESPANTO

Fui ao canteiro ao lado de casa
Vi duas rosas muito unidas
Juntando perfume.
Fotografei-as pra lembrar
O que juntos já fomos.
Amor único e perfumado.
Os dois lado a lado.
Com medo e susto sigo a vida.
Maus caminhos se espalmaram
Com dedos de espanto
No entanto
Lá fora
O vento ri baixinho
Lembrando risos felizes
Rosto e sonhos
Diretrizes.
Um dia
O amor chegará
Numa lúcida vertigem
Pois ele é sempre em mim.
O presságio
Amostragem
Esperança na bagagem.
Perder dói
Busco recursos para enfrentar a dor
Porque perder
Parece traição da vida.
Não sabemos onde nos agarrar
É o nosso esvaziamento
Sofrimento.
Sim
Porque a vida vale a pena.
Escavo o meu interior
Olho as minhas águas
E vejo vultos no fundo
Vultos que vivem dentro de mim.
Assim
O olho pensativo
Namora o outro que busca.
É o meu pungente impulso de alcançar.
Bocejando expectativas
Estou próximo dos oitenta
Mas o presente me pertence
Não o que ficou atrás.
         A  ausência
         É uma gota desafinada
         Mais nada.
 

Em 02 de dezembro de 2013.
Otacílio Mota

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