segunda-feira, 23 de junho de 2014

O CHEIRO DE TUDO

Mastigo o meu silêncio
Pelo silêncio da casa
Enquanto pombos brancos
Pousam no telhado.
A casa
Além das salas e quartos
As lembranças do tempo
O retrato na memória
De nós e sorrisos.
Os olhares incrustados no rosto
Passos juntos
E o nosso cheiro em tudo.
O coração
Explodindo a cada dia,
Cada hora
Minutos.
A música no espaço
E na emoção.
Nossa casa
Nosso chão.
O mar tem o beneplácito do sol
Eu
No entanto
Nem canto.
Hoje
Me olho no espelho e não me vejo
É possível?
Minhas mãos doíam de tanto abrir-se.
Espero que um dia
O seu olhar me alcance.
Minha árvore e sua voz de folhas
Estão podadas.
Já não dizem nada.
Fui lançado na ventania
Por isso me perco.
Não quero ser um rosto
Naufragado num simples retrato.
O sem mundo varando o meu peito
Me habita.
Transfigura o ritmo das águas
Do meu rio sem fundo.
Dentro de mim
Uma rosa com nome secreto
Perfuma o amor.
Dentro de mim
As palavras dançam
Sobre o meu cansaço.
         No meu telhado
         Alguma coisa roçando.
         Deve ser o vento
         E a vida murchando.
 

Em 27 de novembro de 2013.
Otacílio Mota

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