No Mosqueiro,
Copulam as flores,
Vão-se as dores
E a palavra se faz alma.
No melhor fonema
O silêncio se faz poema.
No umbigo,
A ânsia profunda.
O amor cresce belo
E a tudo inunda.
A mão mergulha o fundo do rio
E cata a semente
Que vai florir meu chão.
Mesmo que o amor seja justo
O amanhã será sempre um susto.
No Mosqueiro,
Sinto o gosto
E imagino o amor
Como se fosse o vento
Tocando o meu rosto.
O amor é o sangue que brota
E corre nas minhas veias,
Que tece as teias
Que me enlaçam.
Na minha idade
A claridade me invade
E demarca o ritmo dos passos.
Os braços
Agarram o antigamente
E trazem a demasia
Que encharca o dia.
No Mosqueiro,
As lembranças boiam
Junto ao travesseiro,
Besuntam-se de essências,
Acalentam o sangue e o coração
E a vida expele pulsação.
Sinto saudades dos tempos idos,
Nada perdura além dos sentidos.
Na cabeceira,
Fica o retrato.
Não posso dar rosto ao abstrato.
Gostaria que ela fosse
O aqui e o agora,
Dentro de mim e fora
Por que
Ela não é a razão da poesia,
Ela é a própria poesia.
Assim...
Incrustada em mim.
No Mosqueiro,
Assopro o meu grito,
Fico sozinho
E infinito.
Em 01 de fevereiro de 2013
Otacílio Mota
ResponderExcluirOtacílio seria o menestrel de Mosqueiro?
É muito pouco. Ele é mais, é poeta de Mosqueiro!
Seu nome, de origem grega, significa espião e rima com cílio.
Os cílios protegem os olhos. E ele espia Mosqueiro, não somente com os olhos da face, mas também com os olhos da alma.
Seus versos, seus amores, dissabores (quem não os tem?) estão grudados, entrelaçados em Mosqueiro.
E a ilha se torna o palco, o tablado, a moldura, para seus versos.
Ele sorri em Mosqueiro, sofre em Mosqueiro, ele ama em Mosqueiro e ama Mosqueiro.
E de lá e por lá brota a inspiração.
Amores, amores ... Mosqueiro, Mosqueiro!