sábado, 19 de janeiro de 2013

NÃO QUERO MORRER ANTES DE MORRER

Se o amor se desprende de mim
Me sinto só e em câmara de sombra,
De alma desencontrada
Nada
Me traz a forma das palavras
E o que quero dizer se retorce
Mas a vida insiste como o mesmo entusiasmo da infância,
Com a constância
Dos sonhos e das cores
E com a isca da palavra.
Não tentem entender as minhas asas
Para não descobrirem o meu voo
Nem tentem adivinhar o gesto
Que nem criei
Nem a canção que sonhei.
O tempo passa e nem percebo
A chuva que chora no meu telhado,
O desencanto da árvore não plantada
As pedras que interrompem a estrada
E o que, às vezes, se torna nada.
O que me define tem raiz doce e dolorosa,
O inverso do verso e a prosa.
Mas o amor que tenho também me tem
E inunda os meus espaços,
Rosto e traços.
Ela
Presa nos meus braços.
Como carregando luz e incertezas
Minhas mãos apertam os dedos e os medos.
O gosto da minha carne vem da pele que senti
E do mistério de tudo.
Tudo que me recorde
O amor que canta e remorde.
Quero ser o que ainda ontem fomos
E não o que agora somos.
Quero
Um amor âncora
Com que eu possa te fundear nas minhas águas
E a vida se tornar amiga.
Dou corpo ao vento que te busca
Com o mesmo ardor de antigamente.
Somente...
      NÃO QUERO MORRER
        ANTES DE MORRER.

Em 18 de janeiro de 2013
OTACÍLIO MOTA

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