Se a esperança não me leva a nada
Minha rua é inútil.
Mesmo assim
Eu grito o amor ao eterno,
Instigo a boca romântica
A boca que beija lábios delirantes,
Buscando a língua que pedi
E que em tantas vezes me perdi.
Não sei quantas fomes da carne viva,
Sinto presas no caminho.
A mão que apalpou,
A flor que floresceu.
O furor dos vinte anos se perdeu.
Mas não o encanto
Vieram os pássaros e o seu canto
E pousaram no meu domingo,
Na claridade do dia findo.
Busco
Entre dois mares (tu e eu),
O navegar.
E me faço toalha para enxugar
O que ficou no tempo.
Abro os livros que o correio entregou,
Deixo os olhos deslizarem às letras
E leio a certeza do tudo de mim.
Fico assim:
Debaixo da tua blusa de seda,
O meu suspiro.
Teu hálito no espaço anônimo do quarto
E um estoque de sonhos esburacando a noite.
De dia
Busco o prazer de um coração menino.
E com as mãos dadas,
Uma chuva de nós
Deixa cair pedaços de infinito,
Escancarando o íntimo e o momento.
No aposento
Que nos acolhe
Habita o segredo e o poema.
Súbito,
O fio da vida desafia a idade
E me invade.
Tudo que vem de ti,
Eu conclamo.
POR QUE EU AMO.
Em 09 de janeiro de 2013
OTACÍLIO MOTA
Nenhum comentário:
Postar um comentário