Palavras incessantes
Sonhos nas vogais e consoantes.
As minhas verdades
Eu as invento.
Nesse intento
Eu e o amor
Amorosamente juntos.
Nesse, entretanto
Me espanto
Crente que o que quero existe
E insiste.
Na dobra da esquina
O meu passado em surdina
No meu presente, .
Um outro de mim
Clareia as minhas têmporas
E os gestos da paisagem.
Me invento a cada dia,
Rabiscado de futuro.
O muro,
Ultrapasso antes e depois
O segredo,
Alimenta os dois.
Meu rio,
Sonhos na correnteza.
E corcundas na areia.
A praia,
Despindo a lua.
O sol cobrindo a praia,
Lambendo a vida,
Abraçado de luz
Ouvimos o nosso respirar,
Sentimos nossos odores,
Sabores insuspeitos
E olhares sem defeitos.
É verão
Mas te sinto primavera
E tu te espraias dentro de mim
E se funde em mim
O que tu transpiras.
Te busco cada vez mais
Distância, nunca mais.
Em ti
O que me conforma
É que não és só forma,
És movimento,
Aqui dentro.
Às vezes
Teu corpo é vento e medo
Outras vezes
É soma e segredo.
Às vezes,
Tu não falas nada.
Há momentos
Que em não se dizer nada
Sabe-se que o amor é tudo
Mais nada.
Dá coceira na palavra
E não dizemos mais nada.
Mas,
Se um dia nada mais te interessar,
Devolve o que era eu.
Tudo o que hoje faço
É criar o espaço
Onde a escuridão se esvai.
Velo o que é infindável em mim.
Uma estranha sintonia afim
Cumula a vida do sim.
Sigo o indo,
O nada findo.
No meu velho tanque
Estou eu submergindo.
Paixão de cheiro
É cheiro de paixão.
Quero pungir o meu voo
Na tua direção
Amanhecendo
Sempre.
Em 31 de outubro de 2012.
Otacílio Mota
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