Mãos tiram o que antes colocou
E vem a escuridão descida da noite
O barulho dos ossos se espreguiçando
E o chuveiro dizendo coisas.
A vida é tão incerta, que as certezas são poucas
Loucas
São as palavras que se perdem, esgarçadas na distância.
A superfície abstrata
Retrata
O sonho mudo.
Contudo
Deixa um lado iluminado
E a textura atrás do espelho.
Faz frio aqui dentro, descido do nada
Danada
De vida que ainda me pulsa.
Debaixo das árvores, uma aspiração latente.
Flores ainda flutuam
Enquanto um passarinho afina o bico
E canta pontual.
Afinal
A memória respira o outrora.
Meu silêncio cheira o teu corpo
E cintila o extremo.
Uma doce luz se debruça
E um olhar menino lembra o poema adormecido.
Não sente amor, quem ama sem alegria
Sem a vontade de proteger,
Sem um olhar de aflição.
Não sente amor de verdade
Quem ama sem gostar
Quem vive cheio de obrigações
E não se enfeita de ternuras,
Quem não sente o impulso da afetividade.
Quem pisa o chão, sem estar andando no céu,
Quem perde a noção do essencial,
Quem não vislumbra a geometria dos pássaros voando poemas.
Se existe milagre, nosso amor pode ressuscitar.
Ela é a minha máscara de vício
Em 15 de janeiro de 2012.
OTACÍLIO MOTA
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