sexta-feira, 5 de julho de 2013

O POEMA QUE EU NUNCA FIZ

Quero sempre estar inteiro e vivo,
Porque viver é tudo.
Viver é sofreguidão, gozo e prazer.
Vivo a fisgar a vida,
Quando o amor me resume.
Preciso sempre estar na vida,
Para ter a noção de perdê-la.
O amor é ferozmente sorriso
E ironicamente impreciso.
Entra pela janela
Desprezando a porta
E a quase tudo suporta.
É sucessão de demônios
Desígnios e segredos.
Amar é desbravar
E sentir medos
Coxas suadas de desejos
Nas encruzilhadas da mão
É sentir fome
Como mosca de verão.
Todo silêncio pesa na memória
E nenhuma certeza sobre minhas dúvidas.
Me assusto com barulhos mínimos.
Fantasmas teimam em sair do espelho
E meu peito sussurra enigmas.
Inda que eu morresse hoje
E que não dissesse o que o coração diz
Ficarias iluminada e linda
No poema que eu nunca fiz.
        As roseiras deixam na terra
                Raízes de cheiro.

Em 04 de julho de 2013
OTACÍLIO MOTA

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