quinta-feira, 16 de junho de 2011

NADA FINDO

Levei mais de oitenta tapas
A pele do rosto
Dura como latas
Enrugada ou lisa
Fica ardida
A vida ferida segue seguida
De dor
E o amor segue com a dor
Os anos e os desenganos.
Os planos de cor azul
Viram cinza
Tecem lágrimas
As mágoas
No meio da chuva
Se confundem com as lágrimas.
As mãos caem no espaço
Agarram o cansaço
E o que faço perde o passo.
Piso o chão que escurece os pés
Converso com coisas rotas
As palavras, as bocas
Também se confundem
E os dentes mordem o silêncio.
Os lábios encerram beijos e tudo que não quero esquecer
As viagens, os passeios, os anseios.
A boca também busca seios.
O sangue tremula
A dúvida agita e anula
O que me faz triste
O rio cava o peito e a areia
O vento sopra a veia
Que depura o sangue
A vida um mangue
Vira chão
E nessa fruição
A alma incorpora sortilégios.
Lambendo estrelas
Continuo existindo.
O dia-a-dia seguindo.
Seguindo...
Nada findo.
15.06.2011
 OTACÍLIO MOTA

2 comentários:

  1. Nossa, que profundo dizeres... sentimentos intrísecos nessas palavras que me retratam o quanto que na vida muitas vezes falamos, pensamos, sentimos em meio ao sofrimento.
    Adorei... achei sábia as palavras!
    Uma sugestão.... Escreva um livro com seus poemas.
    Bjos meu amore!

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  2. Como sempre, lindas palavras!É palpável o sentimento contido em cada uma delas.Parabéns,sr. Otácílio, por mais essa lindíssima obra!

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