Eu olhava o mar, como quem espera um barco.
Tu eras o mar e o barco que eu esperava
Passou o mar, ficou o vento
A lua passou, ficou a noite escura
Passou o sonho, ficou a nuvem
Passou o tempo, ficou a ruga na face
A chama passou, ficou a saudade
A luz passou, ficou a mágoa
As palavras passaram, ficaram as letras
Os beijos passaram. E os lábios ficaram nos bolsos
Os anos passaram, ficaram os segredos
A canção de amor passou, ficou a memória
Os olhos passaram, ficaram as lágrimas
O mar que eu esperava
Virou poça d’água. E nada mais passou
Nem o barco que eu esperava
Nem canoa de papel.
Otacílio Mota
Caramba Vô!
ResponderExcluirAdorei esse, ficou muito bom!
Embora seja triste ficou muito lindo. Muito bom mesmo.
Otácilio,
ResponderExcluirEssa sua poesia lembrou-me a "Autopsicografia" de Fernando Pessoa, cuja primeira estrofe transcrevo:
"O poeta é um fingidor./Finge tão completamente/
Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente..."
É um fingimento lírico, mesmo que dolente, mas comovente.