sábado, 31 de maio de 2014

DEUS ME DÁ A LUZ DAS PROMESSAS

Minha velhice escorre empoeirada
Como uma cascata em vertigem
Que adentra a madrugada.
Olho o espelho translúcido do tempo,
As noites de insônias entorpecidas
Rasgam a linguagem
E os desenganos entranham a paisagem.
Do peito levanta-se o cansaço
E o que não mais faço
Cheira a saudade.
A essência entorna-se nas sombras.
O amor e o êxtase
A pele e o pelo
Perderam o zelo.
O verde e o azul do mar
Tudo o que soava lar
Acumula-se num canto escuro.
O que era puro
Tornou-se impuro.
Dialogo comigo mesmo
A tua ausência e a minha insuficiência.
Hoje
Acolho o meu talvez
E trafego as incertezas
Mas
Deus me dá a luz das promessas
O aguardo de esperançosos dias
E tudo que o amor me arde
Entre as centelhas do embalar da tarde.
Uma gota de orvalho despertou-me
E te amei no primeiro olhar.
Depois
O sol se fez vermelho e sumiu.
Mas
Uma estrela pode surgir no presente do passado.

Em 07 de novembro de 2013.
Otacílio Mota

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