Estou no Mosqueiro.
Olho para as árvores
Espiando os ramos,
Como se buscasse nova identidade.
A monotonia do tempo
Escorre como água de torneira sem uso.
Do silêncio nasce um poema
Que sem encanto
Não deve ser lido.
Talvez o canto de um pássaro
Traga a harmonia de que preciso.
Uma garça
Dá o ar de sua graça,
Para me animar.
E fica lá
Pousada sobre uma pedra
Implausível
Como o poema que não consigo escrever.
Ficam-me apenas palavras sem rosto
Sem gosto
Na noite escura que oculta o meu mundo
E que me espia sem olho.
O que quero escrever
Perde-se entre as folhas.
A noite apaga as perguntas da manhã
E a memória dorme para me poupar.
Pego uma rosa
E soletro na pétala um nome,
Que é melhor calar.
Debruço-me sob a doce luz do verão.
Fico quieto e sem ênfase.
Em 20 de julho de 2013.
OTACÍLIO MOTA
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