Quem nada teve de seu
Ou quem teve um amor e perdeu
Vive num campo sem o verde.
Todos os gestos castrados.
Quem acha o amor um pecado
Ou que o amor seja a presença
Escondida atrás do muro
Ou um sentimento obscuro
Teve um amor e perdeu.
A solidão é um vinho
Embebedando os lençóis.
Hoje
Entre eu e mim
Um abismo.
A vida aperta o gatilho
E segue sem trilho.
A pele porejando tristezas
A palavra urrando incertezas.
É o findar de tudo.
Eu, sozinho e mudo.
As janelas se abrem para as reticências.
Metade de mim desce na sombra
A outra metade disfarça.
O poema que me iluminava
Dorme.
Raízes tão fundas se perdem.
Tudo na vida
Um dia se perde
E não há soluço maior
Que o da despedida.
Um puído aceno de mão me finge de vivo.
Toco o seu retrato
E sinto delírio na ponta dos dedos.
Amanhã é sábado
Depois domingo.
Nada mais tem significado.
Apago da minha carne
O cheiro que ficou.
Em 12 de julho de 2013 (sexta-feira)
OTACÍLIO MOTA
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