terça-feira, 4 de junho de 2013

NÃO HÁ VIDA SEM O OLHAR

Preciso de janelas
Para os meus pontos de vista.
Tudo o que crio e imagino
Vejo por minhas janelas.
Janelas da alma e da vida.
Minhas janelas
São a escotilha da imaginação,
Do coração.
Através delas
Teço as manhãs.
Primaveras enchem as janelas de flores e odores.
E os pássaros aninham um novo poema.
Um olho da carne dentro da pele.
O galo que canta sem medo
Na obscura madrugada.
O pescador que sai na jangada
E o dedo do sol que toca a sombra.
Alfombra...
É o peso do desejo.
A lua acendendo a cada dia
Enquanto o amor afia.
O tempo nasce da existência da folha em branco
E do caráter mágico das palavras.
O que fica no alto
Nasce dos pássaros ou do seu canto
Enquanto
O que fica na terra
É o nosso chão.
O relógio marca as horas do silêncio
E o sonho adormece no sofá
Onde está o que se finca?
Por trás dos óculos que se vinga?
Não
Está no olhar.
Não há vida sem o olhar.
Buscar, guardar, esconder, procurar...
Tudo está no olhar.
         Só no cego
                   Que o olhar é o eco.

Em 03 de junho de 2013
OTACÍLIO MOTA

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