sábado, 25 de maio de 2013

VIVER É SENTIR FOME

Tenho um nome
Tenho tempo de espera e ausência
Trago na boca a cicatriz do teu beijo
E sinto o espaço entre os meus silêncios.
No meu lado de rio
E na minha margem
A tua luz se planta.
Ver-te me encanta.
Viver é sentir fome
E saciar o teu nome.
Nada que vem depois
Vale o olhar do agora.
Quero mergulhar em ti
Com as mãos cheias de encontro
E com olhos de muito buscar
Quero te penetrar
Quero ser teu
Maior que eu.
Às vezes
As palavras que penso, mas não digo
São o jeito mais sensato de calar.
A vida
Pode ser um barco ao vento
Rumo ao real e a ilusão.
Quando não sigo e não faço
Perco um novo pedaço.
Preciso sempre buscar
Mas se não sei navegar
Não posso medir nem mudar.
Vou à praia
Quando sinto o fracasso
O vento debocha da areia
Por onde passo.
Se o sol está a pino
O céu se banha de luz
E as palavras são letras
Que lhe dão sentido.
São as vírgulas
Que separam o ruído.
Com as palavras
Eu faço o meu pedido
Rogo a Deus
Que seja feliz contigo.
Como o mar expande as ondas,
As águas se alastram
Para molhar-me de sonhos
E gritam o azul do horizonte
Lavam as poeiras das grutas
E dão voz
Ao o que não escutas.
Um sopro maior projeta-se
Até onde as canções são nuvens.
         Tua luz na manhã...
                   Fico acima do chão.

Em 23 de maio de 2013
OTACÍLIO MOTA

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