A minha poesia
Arrasta as pessoas que não têm voz
Os que vivem a sós
Sem nada dizer
Os que têm o canto
E não sabem cantar
Os que não sentem no coração
A melodia do pulsar.
A pele do corpo
Que não transpira a palavra.
A poesia é a luz que nasce das mãos
Do sol e da água, do vento e das árvores.
E do cheiro fêmeo das marés.
De ficar olhando
Com as pálpebras prontas para se erguer
E não deixar a alma descoser.
A vida segue conforme o desenho que o pensamento esboça.
Uma relação de amor
É uma construção que o tempo não deve fazer cessar.
As nuvens esquecidas de passar
Esperam densas pela luz crepuscular.
A fala dos olhos atingia
A mais cristalina voz do dia.
Eu, nem me sabia.
O calor que me atiçava
Foi-se no vento frio da madrugada.
Minha vida,
Flutuando como balões se rumo.
Antes
Uma vida bem vivida
Alegria.
Hoje
Vivência encardida,
Nostalgia.
Os desenganos
Talvez sejam a perda dos anos
Ou a hemorragia dos danos.
A poesia
Ao encontro de ventanias e medos
Os segredos.
O tumulto se esconde dentro do ouvido
Duvido
Dos olhos e do olhar fingido.
A luz de ontem
Não permitia a sombra de hoje.
Metade de mim desceu à sombra
A outra metade
Escorre para onde me sonho.
Os olhos se abrem sobre mim,
Todas as manhãs em volta de mim.
Meu mundo é real demais para ser sonho.
Imponho
Que a mão seja por hora ardente.
Longe dos puídos desacertos.
Carrego comigo o cabelo grisalho
Que bem poderia ser mancha de orvalho
Ou manchas brancas de paz.
Quem sou eu
Sob as estrelas?
Em 18 de abril de 2013
OTACÍLIO MOTA
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