Há 78 anos,
Meu coração pulsa.
Dentro do peito
Debaixo da pele, da carne
Debaixo do medo, do segredo
Do lado esquerdo.
Às vezes assustado.
Um pulsar quadrado,
Latino.
Um pulsar de menino.
Ora na janela debruçado
Ora na chuva ensopado.
Nunca desajeitado.
Meu coração
Surdo pro desamor
Ouve o Senhor
E lava as mãos.
A própria concupiscência
Nos dá ciência
De que o coração,
Como a mão,
Segura com força
A pessoa amada
A fim de não largar.
Em todo lugar
Há um coração
Maior que a razão.
Um coração que desafia.
Pra mim
O coração é mais do que seria
A mais pungente poesia.
Vida vazia
Não tem coração.
O coração
É a canção da vida.
Em 26 de fevereiro de 2013
OTACÍLIO MOTA
Nenhum comentário:
Postar um comentário