sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NETOS

Quando eu era criança, o meu avô tinha uma casa no Mosqueiro, cujo quintal era enorme.

Aquele imenso espaço me permitia correr e pular, nas minhas brincadeiras infantis.

Ele me chamava, sentava-me nas suas pernas e me dizia: “você é um cabrito montês” e eu lhe perguntava o que era cabrito montês. Ele me respondia que era um pequeno animal que vivia nas montanhas e que corria e pulava muito, como eu.

Nunca vou esquecer a minha infância com o meu avô. O carinho, a atenção, o tempo que ele dispunha para ficar comigo, estarão, indelevelmente, na minha memória. Assim como a expressão de bondade do seu rosto, ficará para sempre na minha retina.

Esses sentimentos me trouxeram a luz de que eu precisava, para repassar aos meus netos, o esplendor do meu tempo de criança ao lado do meu avô.

Os meus netos nasceram e cresceram ao meu lado. Meu amor esteve sempre enlaçado a eles e o fio que os teceu teve as minhas mãos como um selo.

Brincaram comigo tudo o que a infância lhes proporcionou. Tiveram os meus braços para carregá-los e as minhas mãos para conduzi-los.

Compartilhamos o bem e o bom que a vida nos deu. E sempre fiz por eles e que podia e o que sabia para completá-los.

A tela, o pincel e a tinta, estavam o tempo todo em minhas mãos e eles eram a paisagem que me pulsava.

Eles sempre foram a minha esperança e a minha crença. Hoje, são a minha certeza.

A minha bênção de avô irradiava a luz que eles precisavam para crescer e vencer. 

Eles já têm asas para alçar o seu vôo e o meu coração para pousarem sempre que sentirem a necessidade de um lugar seguro e acolhedor.

Sei que a minha proteção e o leme não têm a mesma importância, por que eles trilham o caminho que os conduzirá ao lugar dos vencedores.

O corpo e a alma deles estão na janela, recolhendo o sol que os iluminará, doravante.

Atualmente, a presença deles na minha vida me ajuda a vencer as minhas hesitações e o lado trevoso das adversidades.

Eles preenchem as minhas carências, exultam o meu coração e expandem o meu amor.

Netos são filhos
Melados de açúcar.

Otacílio Mota

5 comentários:

  1. Belo e terno texto.
    Compreendem melhor aqueles que tiveram avós inesquecíveis.
    Já faz 30 anos que meu avô materno (o único que conheci) se foi, mas vez ou outra lembro seus ensinamentos, sua participação na minha formação e seu afeto.

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  2. Vô, eu e meu irmão temos muito orgulho do que você fez pela nossa formação. E por isso vivemos hoje um sentimento completo de gratidão misturado com amor por termos a chance de mostrar os resultados de todo o carinho e dedicação que nos foi dado.
    Saiba que nos sentimos orgulhosos por sermos a sua certeza.
    Bjo Vô, nós te amamos.

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  3. Lindo tio, o senhor como sempre nos emocionando!

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  4. Tio Otacílio, irmão do meu vôzão Orivaldo.
    É uma honra compartilhar de tão belas palavras e ratificar o que sabia há muito, sua inteligência ímpar, ora revelada em verso e prosa.
    Grande abraço afetuoso do seu sobrinho Alex Mota Noronha.

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