Nesta manhã,
Diante da praia sinto dedos de água
A me tocar.
O sol pisa na areia
E a luz é branca.
Estar nessa luz é ser.
Entre os ânimos sou como se ardesse
O rio que desce sobre mim.
Como se as águas
Entre resíduos de história,
Contasse os meus passos.
Mergulho
Nas profundezas do que perdi.
Tudo que amamos,
Faz mal quando ausente.
No banheiro entre os azulejos
O inesquecível azul do teu sutiã
E o sonho fincado no pensamento.
A saudade tem os olhos muito abertos.
Um antigo postal na veia,
Circula o meu corpo.
Entre dois goles de vinho
Busco a vida
E o gesto em cima do sofá.
O dia não acabou o humor dos teus cabelos.
Teu sorriso pertence ao íntimo.
O beijo, quando se reparte, tem sabor de arte.
Abre as entranhas.
O passado alimenta o presente
E mata a sede que sente.
A parede acumula o teu cheiro
E a rosa que estava murcha
Volta ao frescor no jarro.
Em 02 de setembro de 2013
OTACÍLIO MOTA
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